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Olimpíadas 2016: Contra ou a favor?

Não quero fazer parte do time que está torcendo para que tudo dê tudo errado nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro para me gabar e dizer: eu avisei! Não vou dar esse gosto ao presidente Lula que faz questão de dedicar discursos aos pessimistas de plantão. Também não vou levantar a bandeira do patriotismo e proclamar que com o investimento de R$28 bilhões na realização do evento, tudo no país irá funcionar.

É impossível ser totalmente contra ou a favor dos jogos olímpicos no Brasil. Engraçado que algumas pessoas se sentem acanhadas ou até culpadas por ainda não terem definido uma posição exata sobre a situação. Não há o que decidir e eu vou explicar o por quê.

O incentivo à formação de novos atletas virá de forma inédita no país. Não é obrigatório que o país sede das Olimpíadas ganhe medalhas de ouro em todas as modalidades, porém ele não vai querer fazer feio diante de todo o mundo. A ambição é canalizar os esforços na busca de craques que provem que a própria nação, que podemos sim, ser uma potência olímpica.

Já o setor turístico em 2016 deve aumentar em 15% em relação a 2015, de acordo com a EMBRATUR (Instituto brasileiro do turismo), principalmente pelo Rio de Janeiro ser a o principal destino turístico do Brasil, ocupando 35% das preferências dos estrangeiros. Com o investimento em infra-estrutura, a economia também vai comemorar. Muita gente já fala até em diminuição das favelas e dos índices de violência, melhora no sistema de saúde e ampliação do sistema público a fim de integrar as diversas regiões da cidade. Com tantos benefícios, o Rio, que já foi capital do país, poderá novamente ser motivo de orgulho e diminuir o preconceito com o lugar em que as diferenças sociais afloram diariamente.

Com essa maré de bons motivos, há razões para mais reflexão? Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o pesquisador de história social do esporte, Hilário Franco Junior, afirma que um mês de Olimpíada não será capaz de “reverter uma condição de 500 anos” do país. As suas preocupações são claras. Nenhuma nação muda da noite para o dia. As tensões políticas e sociais não vão desaparecer, os brasileiros não se tornaram mais éticos e educados, e o crime organizado não vai declarar paz por causa da festança. Muitos cariocas, inclusive, se sentem inseguros com tantas promessas de bonança porque muito do que foi prometido no Pan-Americano de 2007, não foi concretizado até hoje. A ampliação do metrô e a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas são algumas delas. Com a possibilidade de sediar os Jogos Olímpicos, tudo irá melhorar?

Os benefícios ao país são óbvios se esses se manterem após 2016 e não deixarem grandes elefantes brancos parados por todo o Rio de Janeiro. Por esses motivos não há como se definir de um lado ou de outro quando a questão apoiar ou não os jogos no Brasil. O melhor a fazer estar atento às estratégias adotadas pelos governantes ao prepararem a nação para um evento de proporções grandiosas. Além do que já foi falado nesse artigo, não há como esse esquecer a corrupção que poderá sustentar todos os esforços a fim de garantir o sucesso olímpico. Sendo assim, prefiro concordar novamente com Franco Junior quando ele diz que “temer o desvio de dinheiro público sob o pretexto dos jogos, não é neurose, é simples conhecimento da história nacional”. É esperar para ver.

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