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O Pequeno Príncipe

Fui ver a exposição do Pequeno Príncipe na Oca, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Estava um sol lindo, um dia em que São Paulo deu uma trégua para não nos importarmos tanto com a chuva pesada que cai nesta segunda-feira.

A mostra no piso térreo da Oca é totalmente voltada para as crianças. Muita imagem e pouco texto. Cor e desenhos do personagem projetados em paredes de formatos e tamanhos diferentes. Estrelas no chão para guiar o caminho, música ambiente e lápis de colorir à disposição de qualquer pessoa.

Engraçado é que, para elas, o mais divertido era ficar brincando com a sombra que se formava na parede ao gesticularem suas próprias mãos em frente aos refletores. Tão simples. Sem graça para qualquer adulto. Mas para as crianças, era o que havia de mais interessante.

Tem uma frase do Pequeno Príncipe que diz algo mais ou menos assim: todos já fomos criança um dia, o problema é que nos esquecemos disso.

Às vezes eu me esqueço que já fui criança. Levo tudo muito à sério, faço planos para daqui cinco anos e me envolvo em discussões bobas com a minha irmã.

Tive a sorte de lembrar da minha infância na semana passada. Fui fazer uma reportagem em uma escola pública em São Paulo, onde estudavam crianças de 4 a 6 anos. Bem novinhas. A pauta era sobre hortas urbanas e como um espaço verde dentro da metrópole pode influenciar (para o bem) a vida dos ali moradores.

Na escola, havia uma grande horta recém plantada que após ser cultivada pelos pequenos, aumentou a atenção da garotada na sala de aula. Estavam apenas eu e o operador de câmera arrumando o equipamento para começarmos a gravar. O tempo estava ficando nublado e eu comecei a me preocupar com a luz, com uma possível chuva e com os imprevistos que ainda poderiam vir. Ao mesmo tempo, as diretoras da escola estavam aflitas e ansiosas para começarmos logo as entrevistas. No meio daquela preocupação e correria, uma criança de uns 5 anos, chegou perto de mim e falou:

- Olha! Você é uma princesa.

Como a gente pode esquecer como é ser criança? Enquanto adultos nos vemos cheio de defeitos, ansiosos, acima do peso, baixinhos, com o cabelo desarrumado, com um monte de coisa para ver, resolver, ler e elas ali, tão esperançosas, nos enxergam como adultos que na verdade são príncipes e princesas, em um castelo em que microfones e bloquinhos de repórter são enfeites em um mundo de brincadeira.

Sorte a minha. Fui princesa por um dia e consegui uma reportagem inspiradora.

E caso você se perca nesse mundo de adulto cheio de número e projetos, visite a exposição da Oca e depois pergunte a uma criança o que ela achou.

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